Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Solar alegria

No rosto
transporto a alegria
Nos lábios
sinfonia.


A razão
calculada
abraça-nos a nós
luz iluminada.


Transbordo a força
do réu libertado
séquito de tom
em júbilo elevado.


Alcancei-te no instante
em que esperaste.
Toquei-te no relance
em que tentaste.

Agarrei-te no momento
onde foste
muitas em uma
como ponte.

Ponte nossa
convergente
num caminho
num sonho em mente.

Mesmo o vento
não afaste quem se encontra.
Não diz a quem o sol
escolhe e mete na montra.

Sou grande
porque somos grandes.
Dois felizes multiplicados
que nada separam as grades.

Quentes chamas
carburadas de tudo.
Da alegria que emanas
vejo que és o meu mundo.


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Sexta-feira, Março 23, 2007

Abraço

Agasalho para fechar
todos os dias
volta e meia
sinto-te a sonhar

Sempre que te expulso rodopias
tentacular centopeia
entre voltas e voltas
sibilando melodias
no toque que me arremeia


Regressas insuflada a voar
erguendo as asas
insistindo trocada
na fúria arrebatada
entre ternuras várias

Crisalda perfumada
de simples canto
és raio a ecoar
na queda esforçada

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Quarta-feira, Outubro 18, 2006

Corre para mim

Em brumas fechadas
de nebulosidade cerrada
grades fecham a luz.

Solícitas a ventania
na deslocação.

Demasiada dificuldade
como dor cercada
tudo és tu.


No teu âmago
em ti
respiras aquilo que te faz.

Tanto ar
esbracejas
num espasmo forte.

Cansada ao não
o teu desespero não será
desesperança.


Sabes como nunca
o teu caminho.

Sabes como agora
é o teu destino.


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Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Quebrar

Dou-te fogo e condensação acelarada. Hei-de abrir-te, partir o duplo cadeado levantando a tampa. Pandora , mostra-te, és grande e luminosa, abre-te para mim e eu atar-te-ei. Juntos construiremos a nossa teia.

SOM

O som não engana, vejo na sombra que oculta o planalto o inicio do principio revelador. Todo eu sou luz que espera e anseia pelo grande fogo que me há-de cegar, espero a cegueira branca que me faça ver a sujidade podre dos outros.

Os outros como cães velhos, poeirentos que só rosnam são negros, feios, sujos.
Querem devorar a minha carne e matar o meu pequeno brilho.
São grandes que querem a minha morte, o meu sangue. De olhos aflitos e dentes eriçados eu sou só desolação, os outros os maus só sabem matar-me.

Morro todos os dias, morro a gemer, mas eu sou branco e eles só são sujos e pretos. Eu sou o branco revelador, eles pretos e sujos. Eu sou cem vezes branco e puro , eles nada mais que brancos puros e sujos.

Solidão

Já não estou só, espero apenas a tua salivada final, não sou som apenas um semi-tom de voz fundido. Serei comido pelo som verde que ameaça o horizonte castanho.

Verticalmente curvo-me para ti ao à glória azul, eu o amarelo diferente que quis pensar que voar é talvez ir de braços levantados , correndo contra o vento que odiando-nos nos chicoteia a nós os cães vendidos.


(Fragmentos de textos antigos entre os anos de 1999 e 2001)


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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

Conto nº 003 "CPP"

A fraude

-1-

Certo dia, ele chegou, vinha pesaroso
Impelido por sentimentos sujos
exigiu a sua justiça, quis aquilo porque ansiava.

Na loja, o vendedor fez um só sinal com os dedos.
Não resistiu, mandou que o seguisse. Ele Obedeceu.
Desceram a escada, soava o ruído dos passos.

A porta encravada não cedeu muito a abrir.
Tudo estava inundado de pó e havia pouca luz.
Na desarrumação reinante, atrás do móvel velho,
escondido pelas cortinas, uma caixa estava guardada.

Soturnamente, ele arrancou-a, o vendedor caiu.
Este tapou apenas a cara e tentou calar-se.
As mãos agarravam a caixa de madeira, os olhos fixados
sondavam a fechadura já anteriormente estourada.

No interior, as folhas de papel deteriorado não escondem
o afago meigo da alma que em tempos escreveu em tais linhas.





-2-

Neste caminho, a levante no alto, para lá do alinhamento
das primeiras casas, ele tem que caminhar.
Fá-lo porque tem que ser, mesmo faltando a força.
Não o queria, não o desejava.
Os punhos fechados de constância severa, rangem uma fome
de avidez funda, ansiando a ilação do apaziguamento.

Uma porta fechada, afasta o ingresso furioso.
Várias pancadas desferidas com a mão fechada
timbradamente ressoam.
Na entrada aberta
um corpo denso surge
de voz grave e com uma barra pesada.





:::(continua)

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Devaneio surreal nº 009

Gustavo soca a pêra do andar de cima do macaco do país do lado.
A porta abre-se e ela diz que a montra é feia, gostava mais do azul.
Só tem amarelo, e uma cor estranha parecida com pastel, mas com tonalidades roxas.
Engasgados nós exigimos verde, o macaco do país do lado diz que vai pensar no assunto.
Abençoado macaco Adriano do "BIG SHOW SIC", isso sim eram macacos.

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Quinta-feira, Dezembro 29, 2005

Equívoco


-Sabes o que gosto em ti?
-Calculo que dês duas respostas.
-Gosto do teu ..... e do divinal .....
-És tão tonto!
-Chama-me tonto outra vez.
-Tonto!
-Mais devagar e mais zangada!
-T..o..n...t...o !!!
-Mais dramatismo!
-T.. ooo .. n... ttt ... ooo!!! T ... ooo ... n ... tt t... ooo !!! Muito T .. oooo ... n ... ttt ... oooo !!!
-Um pouco mais de alma! Falta um grito de desespero, um rasgo de revolta!
-A tua prestação sexual é miserável! Tenho um amante!


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Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

Conversa imaginária de dois inimigos


-Detesto-te!
-Odeio-te!
-Mais que detestar-te. Desejo que morras!
-Desejo que morram os teus familiares e tudo o que gerares!!!
-És um cão!! Desejo que morra tudo à tua volta!!!
-Bastardo imundo!!!
-Animal!!!


Conversa imaginária de dois amantes

-Adoro-te!
-Amo-te!
-Mais que beijar-te. Desejo que me ames!
-Desejo conhecer os teus familiares e amar tudo o que gerares!!!
-És uma princesa!!Desejo rodar à tua volta!!!
-Pão com mel!!!
-Linda !!!


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Terça-feira, Novembro 01, 2005

Salto Irrisório


Centelha incandescente, és fonte radiosa
Mergulhas em mim, soltando luz


Sei que te expandes e te ocultas
Pressinto que te diluis
Mas peço-te


Avança, com tudo
Que escabrosos momentos apertados
não cubram o teu desbravar

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História rápida de amor- 3


1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10...

Namorar, Noivar, Casar, Partilhar, Consolidar, Saturar, Quebrar, Enganar, Separar, Divorciar...

Obrigação, Imposição, Inevitablidade, Normalidade, Decepção, Cansaço, Fuga, Consequência, Arrastamento, Dor...

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História rápida de amor - 2


Palmela, Rua da Républica, terceiro andar, direita, porta, corredor, sala de jantar, sofá...

Correr, subir, abrir, parar, saltar, abraçar...

Problema, solução, novidade, alegria...

ele, ela...

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Segunda-feira, Outubro 31, 2005

História rápida de amor -1


Café, carteira, tombar, ajudar, beijar, desculpa, sorrir, consentir

ele, ela

Ele encontra ela, ela deixa cair, ele ajuda, ele encosta-se, ela aceita.

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Terça-feira, Outubro 25, 2005

A diagonal é uma perpendicular


Sei que te devo, mas não faço o que deveria fazer. Saberia faze-lo se soubesse agradar-te. Soubesse eu sentir aquilo que queria sentir e desaguaria por ti.

Na cúpula celestial elevo-me, sei que pairo por vezes agarrado quando não puxado, mais natural gostaria de ser, mas sei que nunca o saberia fazer.

Cruzo-me, acho que choco, não vejo em quem. Mesmo sem luz, caminho, na rua, em frente, viro ás vezes, perco-me.

Quinta-feira, Junho 16, 2005

Castigo (parte I)


Tocado pelo fundo ele anseia pelos que devem chegar. No quarto escuro de granito, isolado a espera é longa. Passam-se minutos, horas e dias, caminhamos nos meses e nada acontece.

A palavra foi dita, se não se acreditar nela em nada se deve crer. Sofre pois! Mais nada te resta no teu quarto fechado, prisioneiro és da noticia que não chega.

Falam que a tua espera terá recompensa, no teu corpo suado coberto de roupa velha e rasgada sentes ser apenas um destroço acorrentado. As feridas gangrenadas nos pulsos queimam-te.

Todo o teu espaço é NÃO, é ferro duro e grosso, não partes e não consegues partir. A barba cresce-te, o teu odor nauseabundo espalha-se, a alieanação é a tua única solução.

Miras o vazio, não queres existir anquele local, não vês as paredes escuras nem o vento que range na janela à noite. Na cela atarracada e sombria, esperas a libertação; a noção do tempo é tão vaga, quantos dias passaram desde que te acorrentaram?






Castigo (parte II)

comida, seca, bulor, mastigar, som


Após mastigares a comida colocas o prato de metal na esteira da porta. Olhas por aquela abertura e não vês vivalma, reina um profundo silêncio.

Encostado à parede, recordas as palavras do velho, elas ressoam na tua mente.

"O castigo chegará, chega sempre, podem esconder-se mas ele descobre-vos, perfura todos os palmos de terra, saturando tudo. A justiça deseja as sua vitimas, tem de as ter. Todo o sangue exige outro tanto sangue. A carne esquartejada será queimada. Toda a vítima é carrasco do carrasco."
...

"Velho malvado, teu rosto esquelético, barba mal feita e os cabelos brancos calcam todos os ventos da minha memória. Sim vejo a cólera nos teus olhos sempre brandindo contra todos ao contra alguém. Só existes contra o teu demónio mesquinho seja ele quem for, não é?

Pregador, os teus desposos são o medo que retiras dos teus ouvintes!"






Castigo (parte III)

coragem, irmão, esperança, luz, combate


Depois surge ele. Aquele rosto claro de cabelo dourado não se esqueçe, como desejaste ser como ele, cintilar e ter a sua bravura.

O velho temia-o, as palavras do irmão eram laminas de luz que cortavam o miserável ente sombrio. Oh bravo! Massacra o infiel do ódio, vence-o em combate e destroça todo o azedume desse trapo velho.

"Decerto, vossa exelência, tendes a consciência limpa, impoluta, tal brilhante e lustruoso idolo. Vós não esperais o castigo, pois nada mais fazeis além de aceitar a consciência, lembrai-nos todos os dias das regras do jogo. Educam-nos para que saibamos que todo o erro tem um castigo, não adianta fugir, se os homens não fazem justiça, Deus fará.


Vós não sois Deus! Sois um velho trapo que nada diz de si, mas as rugas amarguradas mostrama erosão da vida. Profeta magoado, partido só viveis do medo que propagais, qual pirómano que se liberta com os jogos da conciência.


Fala Lixo! Não temes o castigo que pregas? Quem és tu para meter medo? Outro pecador que errou? "

Como essas perguntas soavam bem, uma multidão mirava o velho, consolada. Quantos sussurros de satisfação surgiam. Acossado a coisa podre sentia que tinha todo o ódio apontado, detestavam-no, perdia rápidamente a grandeza dos que manipulam as crianças assustadas.







Castigo (parte IV)

espera, agrilhoado, tempo, mau estar, salvação



Tocado pelo fundo ele anseia pelos que devem chegar. Disseram que vinham as provas que te libertariam. A palavra foi dita, se não se acreditar nela, em nada se pode acreditar. Miras o vazio, não queres existir naquele local, não vês as paredes escuras nem o vento que range na janela à noite.


Esticas o teu corpo, mas as algemas agrilhoadas à parede não permitem que subas para a cama, conseguindo espreitar pela minúscula abertura , a que chamam janela.


Vozes escutas levadas pelo vento, homens irados que falam de jogo, noites de alcool, mulheres e loucuras sem fim. Já foste como eles e por seres como eles estás agora aqui. E são homens como aqueles e daqueles que te vão salvar do teu castigo; uma promessa foi feita, uma palavra foi dada, tu mereces a salvação.


Sofre alegremente, crê na tua solução, os injustiçados saborearão a recompensa merecida. Na cela atarracada, espera a libertação. A noção do tempo é tão vaga, quantos dias passaram desde que te acorrentaram?







Castigo (parte V)

tabuleiro, grupo, conspiração, decisão, sangue



Um homem traz o tabuleiro de comida, nada diz, ajoelha-se e atira-o pela soleira da porta. Esticas o teu corpo e vês que te deixam o habitual pão duro com bolor e sopa de feijões. As correntes obrigam-te a esticares todo o corpo e somente deitado consegues comer. Todo o ruído ecoa; Malditas correntes!


Após mastigares a comida, colocas o prato de metal na esteira da porta. Olhas para aquela abertura , não vês vivalma. Encostado à parede recordas as palavras do velho e como elas ressoam na tua mente.


A duas celas da tua, quatro homens sentados falam e conspiram. A porta está aberta, não são prisioneiros que conversam. Aquele de barba densa e comprida parece veemente e determinado, é o lider. Outro de rosto magro magro e umas covas acentuadas, lança várias objeções, não parece concordar, tenta opor-se mas os argumentos são esmagadores.


Nenhuma outra solução parece surgir. Os outros dois participam pouco, sentados, um está apoiado nos braços e parece esconder o rosto, aquele de nariz comprido enterra a mão no queixo mexendo repetidamenteos dedos, tem os olhos semi-cerrados.


A decisão será a que foi tomada, não há outra solução. Acomodados e contrariados, eles saem pela porta, com palavras duras, anunciam o sangue que tem que ser derramado.







Castigo (parte VI)

Coragem, trapo velho, conflito, morte


Sim ele dislumbra aquele rosto claro de cabelo dourado. Oh! Como o bravo massacra o infiel do ódio, vence-o em combate e destroça todo o azedume desse trapo velho. Acossado a coisa podre sentia que tinha todo o ódio apontado, detestavam-no.

Mesmo cercado tinha que ripostar.

"Bravo anjo dourado! Sacia a tua fome, não gostas da música da verdade, detestas-me não é? Eu lembro muito a tua consciência. Que verme és! Sei bem quantos mataste e porque motivos nobres o fizeste. Oh, Anjo dourado tu tresandas a sangue! Dizes que nada sabes de mim e que as minhas roupas sujas provam que tresando a sangue como tu. Hipócrita sou então ao avisar que o castigo chegará, é pois o que dizeis.

A verdade é que não sou eu que vou castigar mas o filho do capitão que vos vai perseguir, demasiadas testemunhas viram. Por mais que se tentem esconder, a verdade circula na rua, a honra vai cumprir-se e sangue vai escorrer..."


Velho sujo! Hoje falavas demais, muito sibilavas, a tua lingua teriamos que cortar se continuasses a zumbir. Meu irmão, o anjo dourado falou por nós e da nossa indignação ante o repelente percevejo.


" Que ganhas em lembrar o óbvio? Nós já temos um velho podre dentro de nós e esse não chia como tu, Hipócrita nojento!

Como a tua voz ressoa a chocalhado, os chocalhos nas ovelhas servem para que o pastor não as perca e possa sempre encontrar as perdidas, escutando o som. Os teus queixumes servem para quê? Já temos os nossos chocalhos não precisamos de um barulho gigante para nos atormentar, estamos a ficar fartos de tanto ruído!

Tu és uma ovelha culpada como nós, não és nenhum pastor. O teu filho é a tua culpa, foi como um de nós e se morreu não foi culpa nossa! Foi acesso do destino. teremos que te aturrar até quando? Fabian era nosso amigo mas tu bode velho és um aborto muito pesado para levar nesta viagem. Não te queixes do vinho, lembrando o pecado, queres-nos castigar da morte acidental do teu filho, queres sangue tu, mas o nosso não levas!"



Sim como foi bom, Fabian já nao merecia tanto. O destroço mereceu o que devia, podia apelar pelo nome do filho, nada lhe restava. Esmurramos nele, todo o vinagre que daquela lingua saiu. Punhais foram espetados, tábuas de madeira foram arremessadas na face amedrontada, quando esta já era gritos e medo.

O corpo dele era despedaçado sobre os pontapés de toda uma raiva que explodia. Rebolou no cais e foi pela borda fora directo ao mar, já aí era um saco ensaguentado que gemia e sabia estar a morrer.







Castigo (parte VII)


grupo, espera, desembarque, prisão, perigo


Tocado pelo fundo, ele anseia pelos que devem chegar. Disseram que vinham, as provas trariam e essas te libertariam. Eram todos irmãos, fieis e unidos num juramento de sangue; não te abandonarão pois tu és um deles. A palavra foi dita se não se acreditar nela, já em nada se pode acreditar.


Eles são o teu grupo, tem que lutar por ti. Miras o vazio não queres existir naquele local, não vês as paredes escuras nem o vento range á janela. Sim, ouves as vozes que são levadas pelo vento, homens irados que falam do jogo, noites de alcool, mulheres e loucuras sem fim. Só podem ser marinheiros que vem reclamar a sua recompensa, numa farra que durará a noite toda.

Quando tu e os outros mataram o capitão, o tesouro guardaram, passaram-se quase dois anos desde que regressaram ao porto de Plymounth. A familia Tyrouth e todas as familias de piratas souberam da desfaçatez do motim. A vingança ecoa por todos os lados.

Tivemos o menos possivel em Plymounth, nada de roupas extravagantes, nem nada que pudesse chamar a atenção, todos traziam a sua riqueza dividida nos sacos, contavamos separar-nos e sermos felizes longe da costa.

Porque raio havia o homem de inistir comigo na estalagem, provocou-me! A guarda prendeu-me a mim, só a mim! Os meus colegas, eram apenas dois que estavam comigo, disseram que pagariam a fiança, mas ressoava a ameaça quando era escoltado para a prisão central, pareceu-me sussurrar que John Swill estava ali. De capa negra e olhar sombrio ele seguia-te pelos olhos, os punhos dele estavam bem cerrados.

Quantos dias passaram desde que te acorrentaram? Presumo que uma semana. A cadeia está quase deserta, a maioria dos guardas foram ajudar nas manobras de defesa do porto, espera-se um ataque dos espanhois. Ninguém aparece para te salvar e o Swill viu-te.








Castigo (parte VIII)


castigo, morte, incógnita, traição, justiça


Sim ele dislumbra aquele rosto claro de cabelo dourado. Como ele admirou sempre o Frank Kelly, desde a infância que se conheciam. Sempre foi forte, perspicaz o que tu deverias ter tentado ser mais. Como era astuto, arguto e determinado. Batia-se sempre bravamente no saque, era sempre dos primeiros o fazer o embarque aos galeões espanhois, todos se colocavam atrás no embate, sem piedade ele arremessava os opositores.


Nesse momento abre-se a porta, quatro homens avançavam, circundam-te e perfuram vários punhais no teu corpo. Nas órbitas levantadas, és um corpo vencido e jazes já morto. Lembras-te então, nos curtos momentos, antes de morreres que vistes os seus rostos. Não, não eram os Swill nem a família do capitão Rodsilk, eram desconhecidos mas reconheceste o Wood Booke, um dos teus irmãos no saque ao tesouro do capitão. Ele acompanhou-te na estalagem e o mais terrivel de tudo é cunhado do Frank kelly e um dos seus melhores amigos.


Consegues dislumbrar as feições de mais algum? Hum... sim aquele de nariz comprido, acho que já o viste na companhia de Bill Hope, outro dos teus amigos juntos na estalagem. Que miserável embuste este, roubaram o teu ouro. Quem te traiu, todos? Um único?

Aquele bêbado provocou-te na estalagem estavas só com o Tim, na altura o Bill e o Red foram falar com o estalajadeiro e ver os quartos. Desde o príncipio que sentiste que ele fixava os olhos em ti. Provocou-te começando a praguejar que eu me chamava Rood e que a minha irmã o roubara. Nunca tiveste esse nome, nem sequer alguma irmã, devia confundir-te? pensando bem porque não foi ele preso contigo? Afinal quando chegou a guarda com os dois amarrados, será que foi curar a ressaca noutra cela?

Roubaram-te, sim roubaram-te, só a ti? Ao a mais? Estás morto já nao podes viver mais para saber a verdade.
Foi esse o castigo por teres morto o capitão Rodsilk, disparaste o tiro de misericórdia no Fabian quando este ficou ferido na luta pela posse do navio e mentiste quando disseste que o tinham morto em combate.


Serás também culpado por ter atiçado o Frank Kelly a matar o velho, pois já não suportavas as suas acusações azedas? Sobretudo detestavas os olhares desconfiados como te observava. Terás culpa quando acusaste o Fus de ter sacado parte do ouro e por via disso ele envolver-se numa discução com o Frank e morrer, quando foste tu que roubaste os três lingotes?
Sim tu foste culpado, muito culpado, não eras o único, talvez não o pior, outros sofrerão também.

FIM